Crise global de memória RAM deve encarecer eletrônicos no Brasil por mais dois anos, alerta CEO da Claro
Rodrigo Marques aponta alta de até 30% em equipamentos como modems e celulares; executivo afirma que operadora tenta absorver custos para evitar repasse imediato ao consumidor.
25/04/2026 20:06 | Por: Uilmer dos Santos
O bolso do consumidor brasileiro que planeja trocar de smartphone, notebook ou até mesmo assinar um novo plano de internet banda larga pode sentir o peso de uma crise global nos próximos meses. Em evento realizado nesta quinta-feira (23), o CEO da Claro, Rodrigo Marques, acendeu um alerta vermelho para o setor de telecomunicações no Brasil: a escassez e a consequente alta de preços das memórias RAM devem persistir por, pelo menos, mais dois anos.
Segundo o executivo, o impacto na cadeia de suprimentos já é uma realidade dolorosa, com reajustes que superam a marca dos 30% em equipamentos essenciais para o funcionamento dos serviços de telecomunicações e para o dia a dia da população.
"Não somos fabricantes de memória, mas consumimos muitos equipamentos que dependem delas. Isso impacta diretamente o preço de set-up boxes (receptores de TV), televisores, modems de banda larga e smartphones", explicou Marques em conversa com jornalistas.
A chamada "crise das memórias RAM" é um fenômeno complexo de desequilíbrio entre oferta e demanda que tem encarecido drasticamente o custo de produção de eletroeletrônicos em escala global. Especialistas apontam que este gargalo atual é impulsionado, paradoxalmente, por um avanço tecnológico: a explosão da Inteligência Artificial (IA) Generativa.
O 'Culpado': A Corrida pela Inteligência Artificial
As três grandes fabricantes mundiais de chips — Samsung, SK Hynix e Micron — desviaram boa parte de sua capacidade produtiva para a fabricação de memórias de altíssima performance, conhecidas como HBM (High Bandwidth Memory). Esses componentes são voltados especificamente para servidores de IA, que vivem um "boom" de demanda global.
Com o foco nas memórias para IA, a produção de componentes convencionais usados em produtos de consumo em massa, como smartphones, modems e computadores, ficou em segundo plano. Somado a isso, o mercado atravessa uma transição tecnológica para o padrão DDR5 e cortes estratégicos na produção por parte das fabricantes para recuperar margens de lucro. Esse cenário cria uma pressão inflacionária persistente na cadeia de suprimentos que pode manter os preços elevados até meados de 2026.
Risco de Desabastecimento e Absorção de Custos
Embora o mercado sinalize reajustes de até 30% para smartphones e notebooks nas prateleiras, o CEO da Claro afirmou que a operadora tem conseguido negociar com fornecedores para garantir uma estabilidade de preços neste primeiro semestre. No entanto, Marques admitiu que a manutenção desses valores sem repasse ao consumidor final tem um limite.
"Estamos tentando ao máximo negociar para que o impacto não seja repassado ao consumidor. Mas, dependendo do percentual, chega uma hora que fica impossível", alertou o executivo.
O cenário é descrito como mais crítico para equipamentos de infraestrutura residencial, como decodificadores de TV e modems de banda larga. Segundo Marques, nestas categorias os preços de aquisição pela operadora já subiram mais de 30%, e a Claro está "absorvendo o impacto" para tentar manter as ofertas atuais atrativas.
Além do custo elevado, há o risco real de falta de produtos no mercado brasileiro nos próximos meses. "Alguns fornecedores já sinalizam eventual falta de equipamento. O mundo inteiro está antecipando compras por causa dessa questão", revelou Marques.
O Entrave Tributário e o 'Fator Nvidia' no Brasil
A crise das memórias também esbarra em outro ponto estratégico para a Claro: a implementação de infraestrutura própria para Inteligência Artificial no Brasil. A operadora possui uma posição privilegiada na América Latina como única "Nvidia Account Partner", o que lhe garante acesso às cobiçadas GPUs da gigante americana Nvidia. No entanto, a Claro não consegue trazer esses equipamentos fisicamente para o país devido à burocracia tributária.
"Hoje é economicamente inviável hospedar essas GPUs no Brasil devido a um problema grave de tarifação", revelou Rodrigo Marques. A solução encontrada pela empresa tem sido manter o processamento de dados em outras localidades ao redor do mundo.
O executivo condicionou a vinda dessa infraestrutura de ponta para o território nacional ao avanço do Redata, um projeto de lei que visa desonerar a importação de equipamentos destinados a data centers. "Já temos o plano combinado com a Nvidia e com a Oracle: assim que a legislação for alterada, traremos essa tecnologia para o Brasil", concluiu o CEO da Claro.
Segundo o executivo, o impacto na cadeia de suprimentos já é uma realidade dolorosa, com reajustes que superam a marca dos 30% em equipamentos essenciais para o funcionamento dos serviços de telecomunicações e para o dia a dia da população.
"Não somos fabricantes de memória, mas consumimos muitos equipamentos que dependem delas. Isso impacta diretamente o preço de set-up boxes (receptores de TV), televisores, modems de banda larga e smartphones", explicou Marques em conversa com jornalistas.
A chamada "crise das memórias RAM" é um fenômeno complexo de desequilíbrio entre oferta e demanda que tem encarecido drasticamente o custo de produção de eletroeletrônicos em escala global. Especialistas apontam que este gargalo atual é impulsionado, paradoxalmente, por um avanço tecnológico: a explosão da Inteligência Artificial (IA) Generativa.
O 'Culpado': A Corrida pela Inteligência Artificial
As três grandes fabricantes mundiais de chips — Samsung, SK Hynix e Micron — desviaram boa parte de sua capacidade produtiva para a fabricação de memórias de altíssima performance, conhecidas como HBM (High Bandwidth Memory). Esses componentes são voltados especificamente para servidores de IA, que vivem um "boom" de demanda global.
Com o foco nas memórias para IA, a produção de componentes convencionais usados em produtos de consumo em massa, como smartphones, modems e computadores, ficou em segundo plano. Somado a isso, o mercado atravessa uma transição tecnológica para o padrão DDR5 e cortes estratégicos na produção por parte das fabricantes para recuperar margens de lucro. Esse cenário cria uma pressão inflacionária persistente na cadeia de suprimentos que pode manter os preços elevados até meados de 2026.
Risco de Desabastecimento e Absorção de Custos
Embora o mercado sinalize reajustes de até 30% para smartphones e notebooks nas prateleiras, o CEO da Claro afirmou que a operadora tem conseguido negociar com fornecedores para garantir uma estabilidade de preços neste primeiro semestre. No entanto, Marques admitiu que a manutenção desses valores sem repasse ao consumidor final tem um limite.
"Estamos tentando ao máximo negociar para que o impacto não seja repassado ao consumidor. Mas, dependendo do percentual, chega uma hora que fica impossível", alertou o executivo.
O cenário é descrito como mais crítico para equipamentos de infraestrutura residencial, como decodificadores de TV e modems de banda larga. Segundo Marques, nestas categorias os preços de aquisição pela operadora já subiram mais de 30%, e a Claro está "absorvendo o impacto" para tentar manter as ofertas atuais atrativas.
Além do custo elevado, há o risco real de falta de produtos no mercado brasileiro nos próximos meses. "Alguns fornecedores já sinalizam eventual falta de equipamento. O mundo inteiro está antecipando compras por causa dessa questão", revelou Marques.
O Entrave Tributário e o 'Fator Nvidia' no Brasil
A crise das memórias também esbarra em outro ponto estratégico para a Claro: a implementação de infraestrutura própria para Inteligência Artificial no Brasil. A operadora possui uma posição privilegiada na América Latina como única "Nvidia Account Partner", o que lhe garante acesso às cobiçadas GPUs da gigante americana Nvidia. No entanto, a Claro não consegue trazer esses equipamentos fisicamente para o país devido à burocracia tributária.
"Hoje é economicamente inviável hospedar essas GPUs no Brasil devido a um problema grave de tarifação", revelou Rodrigo Marques. A solução encontrada pela empresa tem sido manter o processamento de dados em outras localidades ao redor do mundo.
O executivo condicionou a vinda dessa infraestrutura de ponta para o território nacional ao avanço do Redata, um projeto de lei que visa desonerar a importação de equipamentos destinados a data centers. "Já temos o plano combinado com a Nvidia e com a Oracle: assim que a legislação for alterada, traremos essa tecnologia para o Brasil", concluiu o CEO da Claro.